A bicicleta como forma de turismo, como meio de transporte, como meio transformador das cidades, como elemento agregador da sociedade.  Estas foram algumas das abordagens usadas pelos palestrantes, na noite de ontem, 9, no ciclo de palestras Mobilidade Urbana, na Universidade Tiradentes (Unit).

“Nosso objetivo é mostrar que existem outras possibilidades de se locomover nas cidades. E possibilidades realmente positivas, que trazem benefícios à cidade como um todo”, disse Flávia Sofia, coordenadora de Redes.Sociais da Unit e organizadora do evento.

O cicloturista Fabrício Lacerda falou sobre os desafios e prazeres de se viajar de bicicleta. “Não é algo que você pode decidir hoje e já sair amanhã. É um tipo de viagem que demanda mais preparação e planejamento que qualquer outra”, disse Fabrício, que já fez o litoral brasileiro, entre outros roteiros na América do Sul e Europa. “Em compensação, você realmente vive e curte a viagem completa: a preparação, a ida, o destino, a volta”, acrescentou.

A bicicleta como meio de transporte ativo nas cidades foi a parte mais ampla da noite. Foi exibido o documentário Cycling Friendly Cities, que mostra a experiência de cidades voltadas para as pessoas, como Bogotá, Amsterdã e Copenhague. O presidente da ONG Associação Ciclo Urbano, que já pedalou por cerca de setenta cidades na América Latina e Europa, incluindo algumas que aparecem no documentário, falou sobre as diferenças entre estas cidades e Aracaju.

“Infelizmente, o Brasil vive uma cultura carrocrata. Em Aracaju, isso se mostra mais forte, pois é uma cidade plana, com curtas e médias distâncias, que podem ser feitas a pé, de bicicleta, além de se integrar ao transporte público”, explica Luciano. “Como o transporte público é péssimo, calçadas e ciclovias descuidadas, além das campanhas de incentivo à compra de carros, as pessoas se tornam dependentes das quatro rodas. O resultado é esse caos no trânsito que vivemos todos os dias”, completou.

Lourenço Freitas é lojista, atleta e usa a bicicleta como transporte todos os dias. Ele passou várias orientações e dicas de como se portar e usufruir de todas as vantagens da bicicleta no trânsito. “Acidente de trânsito é evitável, basta seguir as regras e leis”, disse. “Quem usa bike, tem que deixar de pensar como carro. Evite avenidas e ruas de grande movimento. Procure ruas paralelas, rotas alternativas e mais tranquilas”, explicou.

A jornalista e maquiadora Elisângela Valença deu um toque feminino às falas. Ela assumiu a bicicleta como transporte há pouco mais de um ano e aproveitou o evento para desmistificar alguns pontos. “Não existem limitações ou regras para pedalar, exceto as de trânsito. Toda e qualquer pessoa pode pedalar e não precisa se ‘fantasiar’ de ciclista. Eu pedalo de saia, vestido, de salto, maquiada. Vou ao shopping, festa, trabalho. A felicidade e a liberdade que a bicicleta te dá são indescritíveis”, disse Elisângela.

 

 

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