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A ONG Ciclo Urbano realizou na terça-feira, dia 15, mais uma contagem de ciclistas na capital sergipana. A ação aconteceu nas proximidades da ponte Godofredo Diniz, popularmente conhecida como ponte da Coroa do Meio. O trabalho realizado das 6h da manhã até às 19h, contabilizou 1.635 ciclistas. A contagem faz parte das atividades da associação relacionadas ao projeto “CicloRotas AJU”.

Em março de 2013, a Associação Ciclo Urbano, participou do workshop “A Promoção da Mobilidade por Bicicletas no Brasil”, promovido pela ONG Transporte Ativo e realizado na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro). Durante o workshop, foi ensinada a metodologia para realizar a contagem de ciclistas.

Contagem

A ponte Godofredo Diniz faz a ligação das ciclovias das avenidas 13 de Julho, Beira Mar e Delmiro Gouveia. “São cerca de 9,5 mil metros de ciclovias separados pela ponte e pouco menos de 300 metros para fazer a interligação”, pontuou o presidente da ONG, Luciano Aranha. Durante o período da contagem foi verificado a passagem de 881 ciclistas pela ponte, o que representa uma média aproximada de 68 ciclistas por hora.

“A contagem manual nos permite quantificar e observar vários itens correspondentes ao deslocamento por bicicletas, assim como o comportamento dos ciclistas que transitam pela região, facilitando a adoção de medidas e ações”, explicou Luciano. O trecho escolhido para a contagem possui um grande potencial para aumento do fluxo de ciclistas, que tende a aumentar com a ampliação do serviço de bicicletas públicas compartilhadas, a exemplo do Caju Bike.

A Ciclo Urbano acredita também que o motivo para esse aumento deverá ocorrer pelo fato que a cada dia mais pessoas estão buscando meios de transportes alternativos e enxergam na bicicleta uma excelente alternativa. Ao se locomover por bicicleta, é possível fugir dos engarrafamentos, não emitir gases poluentes, economizar dinheiro, e praticar atividade física ao mesmo tempo em que se locomove. “O grande aumento no número de ciclistas, também se deve ao incentivo a mobilidade por bicicleta na cidade de Aracaju, proporcionado pelo aumento da malha cicloviária”, acrescentou Aranha.

O presidente da ONG, entretanto, ressaltou que “os ciclistas que passam por essa avenida em direção ao bairro Coroa do Meio precisam cruzar a Ponte Godofredo Diniz, um ponto de risco para os ciclistas devido à falta de sinalização específica. Esse ponto específico da cidade é um problema grave que precisa ser resolvido com urgência pela Prefeitura de Aracaju. Essa travessia precisa ser revista pelo órgão responsável, mesmo que de forma emergencial, enquanto não é executada a construção da estrutura metálica, que foi uma promessa do prefeito João Alves Filho logo após assumir o cargo”, enfatizou ele.

Análise

Na análise sobre a média de ciclistas, observa-se que 126 ciclistas/hora é um número expressivo, já que calcúla-se que há um fluxo médio superior a 2 ciclistas por minuto na área de contagem. O que reforça que cada vez mais o poder público municipal, em parceria com os demais órgãos responsáveis, deve buscar novas formas intervenção a fim de melhorar a infraestrutura cicloviária de Aracaju.

“Foi observado também na análise dos dados coletados que a região do Bairro 13 de julho é o principal gerador de fluxo de bicicletas, ou seja, a região que antecede a esse bairro deve ser considerada prioritária para a inserção de infraestrutura cicloviária e/ou facilidades aos ciclistas, já que a demanda de origem e destino concentra-se nos bairros anteriores a ele”, avaliou Aranha, completando ainda: “estes dados mostram que as infraestruturas cicloviárias devem ser pensadas, projetadas e executadas com o foco neste tipo de deslocamento a fim de diminuir a relação de conflito entre o automóvel e a bicicleta, além de ações educativas que priorizem o compartilhamento das vias durante todo o dia”, registrou o presidente da ONG.

Nesta região da 13 de Julho concentra-se uma grande quantidade de construções, pois é a área mais valorizada e especulada de Aracaju, em constante modificação para implantação de edifícios. Com isso, nota-se nesta área uma grande quantidade de trabalhadores da construção civil que utilizam este trajeto no seu percurso casa-trabalho de bicicleta.

Foi identificado também que este ponto de contagem possui uma singularidade quanto ao fluxo de ciclistas para o lazer, já que o Calçadão da 13 de Julho e o Calçadão da Beira-Mar são locais de preferência dos aracajuanos para a prática de exercício físico e de esportes. O principal percurso utilizado, de acordo com a contagem, foi o Farolândia – 13 de Julho. Isto pode ser justificado por ser um caminho de interligação do Centro da Cidade com a Universidade Tiradentes e bairros populosos de Aracaju, sendo estes considerados grandes indutores de fluxos e Origem e Destino dos ciclistas.

É partir da interpretação dos dados recolhidos durante a contagem, podemos perceber a real necessidade da implantação de políticas públicas que promovam melhorias na infraestrutura cicloviária da cidade de Aracaju, juntamente com os órgãos de planejamento municipal. “Nosso objetivo é levar as informações para a Prefeitura Municipal de Aracaju, especificamente para a Secretaria Municipal de Transportes, e demais órgãos interessados nos resultados e discussões deste estudo, permitindo assim, uma melhor avaliação da área para futuros projetos e intervenções no local”, informou Aranha.

Confira aqui o relatório completo.

 

 

 

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