A publicidade do automóvel insiste nas frases de impacto, fazendo a gente se sentir grande, poderoso e capaz de tudo. Cada carro que surge aparece com mais conforto, todos como se nunca mais pudessem ser superados e quando a gente pensa que não, aparece um mais bonito e confortável ainda.

São realmente impressionantes (quase sufocantes) as campanhas de convencimento do carro como extensão do próprio corpo, mas em Aracaju, sucesso mesmo faria um carro inovador e que realmente atendesse as necessidades climáticas da cidade…

Depois de 30min de chuva (tempo suficiente pra eu ficar ilhada no quarteirão que moro), desejo mesmo é que os carros tivessem um botão que os transformassem em balsa! Acho até que as ruas ficariam com um ar mais romântico, não fosse o cheiro de esgoto que se espalha no ar com os canais transbordados.
Numa cidade que desde sua origem aterra lagoas e tenta esquecer que seu lençol freático é além de superficial, guarda-chuva já não é suficiente. Andar de bike nas piscinas, digo nas ruas, torna-se um exercício de academia… haja força e perna pra mover nossos pedais!
Já que a chuva não pára e a drenagem não funciona, no mais, é aprender a nadar e torcer pra não ser vítima de uma onda daquelas, obras de motoristas insensíveis ao passar pelos alagamentos.

Laís Gouvêa.

2 thoughts on ““Modo balsa”: ativar!

  1. Olá, Laís. Esse seu texto me faz lembrar/ pensar sobre vários pontos:

    1. Seja pela propaganda que você fala, pela redução do IPI, pelo desconforto que a cidade (leia-se estrutura, políticas, etc.) nos causa, pelo imaginário coletivo do veículo como símbolo de status, etc., é impressionante a quantidade de carros e novos carros em Aracaju. Tem concessionárias vendendo cerca de 200 carros por mês. Onde isso vai dar…

    2. Infelizmente o problema de alagamento com chuvas não é culpa somente da prefeitura. É incrível ver como as pessoas jogam lixo do carro, do ônibus, saindo da própria casa para colocar o lixo no terreno da frente, pessoas que não varrem suas calçadas…

    3. O alagamento e as poças d’águas, além de dificultarem o trânsito de pedestres e ciclistas, ainda traz aquele velho problema de falta de respeito, onde os carros passam espelhando água, os ônibus não se importam de parar em frente à poça, as calçadas não pavimentadas viram pura lama, colocando o pedestre no meio da pista, entre tantos outros.

    Enfim, o que uma chuva não traz para uma cidade mal construída, mal planejada, mal governada e mal respeitada pelos próprios moradores.

  2. Oi, vim aqui no blog de vcs pq já tentei fazer contato por e-mail e por telefone e não consegui.
    Estou fazendo uma matéria sobre o Ciclo Urbano pra uma disciplina da universidade, sou estudante de jornalismo da UFS. Gostaria que um de vcs pudesse me conceder uma entrevista,pode ser por e-mail mesmo.
    Enviem a resposta com os contatos para o meu e-mail yasminbarretodc@gmail.com
    Obrigada desde já.

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