A data de 05 de Junho é celebrada em todo o planeta como o “Dia Mundial do Meio Ambiente”, portanto, a Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) do município de Aracaju está realizando do dia 06 a 10 de Junho a “IV Semana do Meio Ambiente” com o eixo temático “Educação ambiental: da teoria à prática”.

A ONG Ciclo Urbana foi convidada a ministrar um minicurso relacionado à Mobilidade Urbana, o qual foi realizado em 08 de Junho – na Universidade Tiradentes, em Aracaju/SE – através da facilitadora Manuelle Saturnino, membro associada da Ciclo Urbano.

“É nítido que o sistema de mobilidade urbana de inúmeras cidades brasileiras, não excluindo Aracaju da lista, necessita de reformulações as quais priorizem os deslocamentos realizados por pedestres e ciclistas”, afirma Manuelle. A partir desse pensamento, ela elaborou como tema do minicurso “Mobilidade Urbana: Cidade para pessoas.”

No slide a seguir, você confere o material apresentado por Manuelle na IV Semana de Meio Ambiente – link pdf.

Para Manuelle, o minicurso foi um desafio maravilhoso. “Compartilhar o conteúdo por 6h, entre as turmas da manhã e da tarde, foi de muita conversa. Falar sobre um tema tão importante e melhor ainda, trazermos discussões sobre a nossa cidade, tornou o minicurso muito mais proveitoso e reflexivo”.

Mobilidade Urbana: cidade para pessoas

Mobilidade urbana é um tema muito compartilhado que consiste no sistema de deslocamento dos moradores e transeuntes pelos espaços públicos, realizado por todos e quaisquer modais, como a pé, skate, patins, bicicleta, transporte público coletivo, transporte de carga e veículos motorizados particulares. Uma cidade com adequado sistema viário atende à população para que esta se locomova de forma eficiente e segura, integrando com os preceitos sustentáveis de equilíbrio entre as esferas ambiental, social e econômica.

Cidades para pessoas fogem dos ideais do modernismo em separar as necessidades básicas de morar, lazer e trabalhar, o que expulsou, ao longo do século XX, os cidadãos das ruas, tornando-as desagradáveis para os pedestres, além de estenderem o espaço urbano de forma difusa para os subúrbios. Em contrapartida, os princípios para que uma cidade seja amigável a seus usuários são compactar e adensar as áreas ocupadas, melhorar o sistema de transporte de massa, misturar e diversificar os diferentes usos do solo, conectar as vias com espaços públicos de qualidade, afinal de contas, o sistema de mobilidade urbana não se restringe somente aos deslocamentos, bem como às paradas e vivência exterior às edificações, criar sombra (arborização) e abrigos para pedestres e ciclistas. Deste modo, as pessoas se sentem convidadas a circular pela cidade, motivando segurança e qualidade de vida. Os benefícios em promover esses princípios são econômico, social, ambiental e físico, tanto para os citadinos, quanto para a própria cidade em si.

Manuelle exemplifica: “Por exemplo, cidades saudáveis geram cidadãos saudáveis, significando em menores gastos na saúde pública para tratar as doenças decorrentes das consequências em se viver em lugares com pouco verde, de trânsito estressante, muito tempo gasto para se deslocar e pouco tempo para a família ou outras atividades”, acrescenta ainda que “O sedentarismo pode causar hipertensão, obesidade, câncer, dentre outras enfermidades contemporâneas. Cidades onde crianças possam brincar, idosos, grávidas, pessoas com necessidades especiais, mães e pais com seus carrinhos de bebê consigam se mover sem obstáculos, munidas de pontos de encontro e percursos que incentivem o caminhar ou pedalar em curtas e médias distâncias, além do deslocamento a longas distâncias via transporte coletivo, são ideais para todos e quaisquer tipos de cidadãos”, finaliza.