Ciclo Urbano DIM2014 14

Está provado: a bicicleta é mesmo o transporte individual mais eficiente para a mobilidade urbana. A constatação vem do resultado de mais um Desafio Intermodal promovido pela ONG Ciclo Urbano, no início da noite da última terça-feira, 16. Essa foi a sétima edição do estudo realizado na cidade de Aracaju que aponta a pedalada como a opção de deslocamento mais rápida. Isso sem citar outros importantes quesitos que conferem atratividade extra à modalidade, que é econômica, salutar e lúdica.

Para chegar a tais conclusões bastou conferir o relógio e fazer uma rápida entrevista com os participantes, no ponto de chegada. “Senti-me irritado por não conseguir agilizar a viagem, é impossível trafegar a mais de 40 km/h. O trânsito é estressante”, disse o desafiante que optou pelo automóvel Waldson Costa, levando quase 40 minutos para se deslocar da praça Olímpio Campos, no Centro, ao Teatro Tobias Barreto, no Distrito Industrial de Aracaju, pontos inicial e final do Desafio 2014.

Ao seu lado, com pouco mais de 15 minutos após ter deixando o mesmo ponto de partida, o ciclista Rafael Barbosa, que usou as vias rápidas, já descansava do trajeto. Além de ser um exercício, a pedalada que o poupa dos entraves do trânsito acabou sendo um momento de relaxamento das tensões do trabalho. Essa diferença de tempo e estado de espírito faz toda a diferença no dia a dia, afirmam as ciclistas que optaram pelas vias calmas Rosana Adrião e Magda Celine.

De acordo com elas, que não usaram as ciclovias para o percurso, os momentos mais delicados ocorreram nos cruzamentos com as grandes avenidas. Nesses pontos observa-se um desrespeito dos motoristas com o ciclista, relata Rosana. “Todos querem passar ao mesmo tempo”, diz ela. Outro ponto de perigo são os desníveis das vias. “Por não haver nivelamento, o risco de acidente é maior, por isso, é preciso guiar defensivamente, com olho nos automóveis e nos obstáculos da rua”, queixa-se Magda.

Analisando as demais formas de locomoção testadas no Desafio, da qual participaram nove modalidades no total – pedestre caminhando e correndo, motocicleta, automóvel, ônibus, ciclistas que utilizaram vias calmas (masculino e feminino), vias rápidas e bicicleta elétrica – os tempos alcançados pelos ciclistas se mantiveram bastante superiores.

Para cumprir a distância de seis quilômetros que separam a praça Olímpio Campos do Teatro Tobias Barreto, o ciclista mais lento, que optou pelas vias calmas (feminino), levou 28’ 22”, o que representa 11’ 22” a menos que quem fez o mesmo trajeto de ônibus, que levou 39’ 44” para chegar ao mesmo ponto.

O ônibus, meio de transporte coletivo, que na teoria deveria ter prioridade no deslocamento, chegou à frente apenas do pedestre que optou pela caminhada, cumprindo o desafio em 45’ 30” (confira abaixo o gráfico com todos os tempos). “Até que não foi difícil embarcar no ônibus. Dei sorte de chegar ao ponto e já está parando a linha que iria pegar, mas a falta de fluidez no trânsito torna as viagens muito mais demoradas e cansativas. A implantação de vias exclusivas para o transporte coletivo proporcionaria um serviço muito mais dinâmico, atendendo às necessidades da população”, declarou Fabiana Droppa. Ela dividiu com o vereador Lucas Aribé e outras duas pessoas a experiência de viajar de ônibus no horário de pico.

 

Prioridade

A análise dos números aponta para duas verdades que muitos países já descobriram: o transporte coletivo precisa de prioridade nas vias e a ciclomobilidade de incentivos para se tornar uma opção segura de transporte. “Falta educação no trânsito para que as pessoas respeitem quem utiliza a bicicleta. Além da infraestrutura para o trânsito de bicicletas em Aracaju ser deficiente, a utilização das ciclovias, dos acostamentos e dos caminhos alternativos, fora das grandes avenidas, tem poupado muito o tempo dos ciclistas. Fora a grande agilidade e mobilidade, andar de bicicleta é econômico. As bicicletas são um meio de locomoção ecológico, pois não emitem poluentes. Desse modo, contribuem para melhorar as condições de vida de todos. Enfim, a bicicleta é tudo de bom”, finaliza Luciano Aranha, presidente da Ciclo Urbano. Ele explica que o objetivo do Desafio não é promover uma competição, mas uma análise sobre as diferentes formas de deslocamento, a fim de que sejam observadas situações como o tempo de trajeto, entraves e facilidades de cada meio utilizado.

Os resultados desse estudo serão levados às autoridades municipais e colocados em discussão durante o II Fórum Sergipano da Bicicleta que acontece de 17 a 19 de outubro, na Sociedade Semear. Na programação do evento estão palestras, oficinas, workshops, pedaladas, festas e sessões temáticas de cinema. Durante os três dias do evento, professores, jornalistas, engenheiros, arquitetos e ativistas de todo o Brasil estarão debruçados sobre o tema “Um movimento em direção à bicicleta”. A ideia é reforçar os conceitos do cicloativismo, que já alcança ecos em muitas cidades brasileiras nas quais a bicicleta já é apontada como um dos caminhos mais curtos, econômicos e saudáveis de deslocamento.

 

MODAL

HORA DE CHEGADA TEMPO DE DESLOCAMENTO ÍNDICE DE APROVEITAMENTO* DISTÂNCIA (m)*** VELOCIDADE MÉDIA (km/h)

PEDESTRE CAMINHANDO

19:00:30 00:45:30 9 6.000

7,91

PEDESTRE CORRENDO

18:50:58

00:35:58 6 6.000

10,01

CICLISTA – VIAS RÁPIDAS

18:30:27 00:15:27 1 6.000

23,30

CICLISTA – VIAS CALMAS (M)

18:41:15

00:26:15 4 6.000

13,71

CICLISTA – VIAS CALMAS (F)

18:43:22

00:28:22 5 6.000

12,69

CICLISTA – ELETRICA

18:31:28

00:16:28 2 6.000

21,86

MOTOCICLISTA

18:37:25

00:22:25 3 6.000

16,06

AUTOMÓVEL

18:52:21

00:37:21 7 6.000

9,64

DEFICIENTE VISUAL + ÔNIBUS

18:54:44 00:39:44 8 6.000

9,06